Ninkasi, a Deusa da Cerveja

Ninkasi é a antiga deusa sumeriana da cerveja, que transformou uma mistura de água e cevada em um líquido dourado, conhecido hoje como cerveja.

Era uma deusa muito popular que fornecia cerveja aos deuses. Ela era considerada a própria personificação da cerveja.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Fabricantes investem para reverter má reputação da cerveja sem álcool

A marca Nordic, produzida pela Carlsberg, possui 43% do mercado de cervejas sem álcool na Dinamarca. PHOTO: FREYA INGRID MORALES/BLOOMBERG NEWS

Depois de passar anos tentando em vão impulsionar as vendas de cerveja sem álcool, as maiores cervejarias do mundo estão expandindo o leque de produtos não alcoólicos com um vigor renovado.

A belgo-brasileira Anheuser-Busch InBev NV, a holandesa Heineken NV e a dinamarquesa Carlsberg A/S estão investindo em novas tecnologias, marketing e distribuição para cervejas sem álcool como a Budweiser Prohibition Brew, 0.0% MAXX e Nordic. Elas apostam que leis mais severas para limitar o consumo de álcool e uma mudança em direção a hábitos mais saudáveis irão fortalecer as vendas dos novos produtos.

Nenhuma dessas empresas informa os investimentos em cerveja sem álcool. A Carlsberg, porém, recentemente divulgou planos de, no mínimo, dobrar a proporção de cervejas artesanais e sem álcool até 2022, de 6% para 12% do volume total. E a AB InBev afirma que pelo menos 20% de seu volume global de cerveja será composto de produtos com baixo teor ou sem álcool até o fim de 2025, ante atuais 6%.

“A cerveja não alcóolica está crescendo três vezes mais rápido que o mercado geral de cerveja e oferece excelentes oportunidades de margem”, disse neste ano Cees’t Hart, diretor-presidente da Carlsberg.

As cervejarias conseguem margens de lucro maiores com as cervejas sem álcool devido à não incidência de impostos e porque essas cervejas tendem a ser mais caras que as tradicionais. Os resultados da Carlsberg revelam um lucro bruto médio por 100 litros de cerveja sem álcool na Europa Ocidental que é quase o dobro do obtido com a tradicional.

Mas, apesar dos esforços das cervejarias, o volume de cerveja sem álcool como proporção da produção total tem se mantido praticamente estável, em torno de 0,7%, durante os últimos dez anos, segundo a Canadean, uma firma de pesquisa do setor.

No Brasil, apesar de a fatia de cerveja sem álcool ainda ser pequena, ela está crescendo, tendo saído de 0,28% em 2010 para 0,36% em 2015 e devendo chegar a 0,41% em 2020, pelas estimativas do Euromonitor International. O volume de vendas de cerveja sem álcool no país era de 35,9 milhões de litros em 2010 e atingiu 48,2 milhões de litros em 2015, uma alta de 34,3%, ainda segundo dados do Euromonitor. No mesmo período, o consumo de cerveja tradicional subiu 5,8% em volume, para 13,5 bilhões de litros.

O mercado brasileiro de cerveja sem álcool é dominado pela AB InBev, dona da marca Brahma. Em 2015, a empresa teve 62,1% das vendas, seguida de longe pela Bavaria NV, com 6,5%, e a Kirin Holdings Co., dona da Nova Schin Zero Álcool, com 3,7%, segundo o Euromonitor.

A cerveja não alcoólica, que possui no máximo 0,5% de álcool, tem uma legião de fãs em países de maioria muçulmana, como Irã e Indonésia. Ela também conquistou mercado na Espanha, onde geralmente é consumida com as tradicionais tapas, e na Alemanha, onde é bebida após atividades esportivas, afirma o Euromonitor.

Mas em vários mercados expressivos de cerveja, como América do Norte e Reino Unido, a cerveja sem álcool não deslanchou. Parte do problema é que muitos consumidores diários não estão convencidos de que a versão sem álcool faz sentido.

“É como um tipo de exercício que não traz benefícios — por que as pessoas usariam isso se o principal benefício não existe?”, diz Matt Voda, que mora em Nova York e desenvolve aplicativos de realidade virtual. Ele fez uma pesquisa do setor de cerveja sem álcool para a Heineken em 2013, como parte de um estágio na cervejaria. A pesquisa de Voda, em seus três meses na Heineken, revelou que a cerveja sem álcool é consumida principalmente por pessoas mais velhas que foram aconselhadas pelos médicos a cortarem o álcool.

As cervejarias estão trabalhando para mudar essa percepção.

Em um evento para analistas que a Carlsberg realizou no mês p-assado em Estocolmo, a diretora comercial da empresa, Jessica Spence, disse que a cervejaria quer que a bebida sem álcool seja associada a palavras como “cerveja principal”, “patrimônio”, “artesanal” e “inovação”, e não mais com “comprometimento”, “responsabilidade”, “mau gosto” e “estigma social”.

A publicidade da Carlsberg mostra pessoas bebendo os produtos sem álcool enquanto fazem caminhadas, nadam e jogam futebol. Em outubro, a marca não alcoólica Nordic patrocinou uma corrida para arrecadar dinheiro para o combate ao câncer na Dinamarca e afirmou que planeja mais atividades voltadas para o bem-estar em 2017.

A Heineken tem seguido um caminho parecido, investindo em campanhas publicitárias que vinculam a ausência de álcool a um estilo de vida ativo, uma mudança em relação à estratégia anterior, que se concentrava nos benefícios funcionais da cerveja sem álcool para motoristas e mulheres grávidas. Ela tem agora 63 variantes de cerveja não alcoólica, ante 15 em 2011.

A cerveja sem álcool — obtida pela interrupção da conversão de açúcares em álcool, no início do processo, ou pela remoção do álcool depois da fermentação — ainda tem que superar a reputação de ser aguada e sem gosto.

“O problema da cerveja sem álcool é que, ao tirar o álcool, retira-se parte do sabor e, se a fermentação é interrompida, o produto final é muito doce”, diz David Ryder, ex-mestre cervejeiro da MillerCoors.

Agora, as cervejarias afirmam que avanços tecnológicos estão ajudando a superar esses problemas. O mestre cervejeiro da AB InBev, Charles Nouwen, diz que a empresa descobriu receitas específicas de fermentação que ajudam a levedura a produzir sabores intensos. A empresa, então, destila o líquido a temperaturas baixas para remover o álcool sem perder as características e o sabor. “Nossa ambição é acabar com a distância para a cerveja tradicional, para que tenhamos os dois produtos sem ninguém notar a diferença”, diz Nouwen.

A Carlsberg — que afirma ter a maior coleção de levedura do mundo, com mais de 2.500 variedades — passou a usar novas leveduras e bactérias para remover o álcool, assim como novas tecnologias para produzir cervejas sem álcool a partir de cereais e frutas.

A Nordic, da Carlsberg, tem 43% do mercado de cerveja sem álcool na Dinamarca. Mas a empresa ainda tem muito trabalho a fazer em suas outras marcas sem álcool, segundo Alicia Forry, analista da firma financeira britânica Liberum que provou várias cervejas sem álcool oferecidas em Estocolmo, em outubro. “Elas são melhores do que as que já experimentei”, diz ela. “Mas ainda não é algo que eu compraria.”

Por Saabira Chaudhuri



Fonte: The Wall Stret Journal
http://br.wsj.com/articles/SB10376958582602024847204582453172003865202

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